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Archive for janeiro \21\UTC 2010

O ser humano tem o hábito de complicar as coisas. Por ter consciência, ele tenta se diferenciar dos outros animais que habitam o planeta, criando justificativas para as necessidades e instintos que têm. A fome, por exemplo, é o conceito criado para explicar a necessidade de se alimentar; o medo é o conceito criado para explicar o instinto de autopreservação. Por algum motivo, o instinto de reprodução acabou gerando um dos conceitos mais complicados criado pelos humanos: o amor. (mais…)

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É ano de eleições, e todos já sabemos como o “processo democrático” ocorre em nosso país. Primeiro, teremos a Copa do Mundo para anestesiar a mente da população. Então começam as propagandas políticas, com os candidatos mais interessados em descobrir e expor os podres de seus adversários do que apresentar propostas de governo e soluções para os problemas da sociedade. Aquele c que conseguir convencer a maior parte do povo de que é o “menos pior” vence, e teremos um ano de folga até que tudo se repita. (mais…)

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A vida é curta

Muito tempo atrás, eu ouvi de colegas de trabalho a história do China.

O China, ao contrário do que  o apelido leva a acreditar, era da Paraíba. Diziam que ganhou o apelido porque bebia até ficar com os olhos apertados. Também comia todo tipo de porcaria que pode ser frito pelo homem: pastel, coxinha, bolinho de bacalhau e até o temido bolovo. Não gostava de nada que fosse saudável, as frituras eram seu paraíso.

Até o dia em que o encontraram em meio a uma poça de sangue vomitado no banheiro da empresa. Uma úlcera havia estourado, e China só sobreviveu porque foi levado rapidamente ao hospital pelos colegas.

Algumas semanas depois, estava de volta ao trabalho. O médico havia proibido terminantemente qualquer tipo  de fritura, gordura e bebida alcoólica, e ainda assim, na hora do almoço lá estava China em seu boteco preferido, mandando ver em dois pastéis e uma garrafa de cerveja. Os colegas o questionaram e o repreenderam:

– Você nem se recuperou direito e já tá aí, comendo porcaria? Tá querendo morrer?

E o China respondeu:

– Prefiro morrer a ficar sem comer o que gosto.

E, de fato, China morreu duas semanas depois.

Quando ouvi essa história, imediatamente considerei China um tolo. Afinal, não vale a pena jogar sua vida fora por causa de alguns prazeres, certo? Mas um dia, eu me peguei pensando: e se aqueles pastéis fossem o único prazer do China? Comer as coisas que gostava e tomar sua cervejinha a única satisfação em sua vida? Será que valeria a pena continuar vivendo, trabalhando feito um cão, aturando pessoas desagradáveis o dia inteiro, se seu único prazer na vida fosse negado de maneira tão cruel? O que eu faria se minha fonte de satisfação se tornasse minha perdição final?

Minhas respostas para essas perguntas mudaram muito ao longo dos anos. Hoje, acredito que minha atitude não seria muito diferente da que o China tomou. Talvez eu não fosse tão radical, mas com certeza eu não me privaria dos meus prazeres, mesmo sabendo que isso eventualmente acabaria comigo. Afinal, a vida é curta, e precisamos aproveitá-la ao máximo. Não faz sentido prolongá-la se tudo o que ela nos traz é sofrimento.

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